Total de visualizações de página

terça-feira, 2 de março de 2021

Os Impostos Feudais




      O surgimento  do feudalismo se deu com a junção de dois elementos principais, o colonato com base romana de trabalho em troca de proteção, e o comitatus que seria a relação de lealdade dos guerreiros com os chefes de suas tribos. O feudalismo teve a sua consequência como um modelo de reestruturação política, econômica, cultural e social de países europeus, marcando o período do baixo medievo. O sistema feudal tem como principais divisões sociais as seguintes escalas: O Clero, Senhores feudais, Nobreza e servos. Desta forma, as classes eram divididas em suseranos que eram os donos das terras e os vassalos os quais eram servos. E, o Clero é composto por membros da igreja, sendo desta forma a instituição mais poderosa do sistema. Sendo uma sociedade dominada por grandes proprietários de latifúndios, os quais possuem poderes políticos e econômicos. 

        Por volta do século XI ao XV se observa um gigantesco aumento demográfico que possui um crescimento até o século XIII, esse aumento de pessoas se dá por causa da paz existente (visto que se acabaram as invasões), retornando os movimentos comerciais e sobretudo o aumento de recursos agrícolas devidos aos progressos técnicos, como exemplo: O ferreiro vai ser de suma importância para fazer instrumentos agrícolas como a foice, charruas, ferraduras para bois e cavalos. Com esses desenvolvimentos agrícolas se abre espaços, pois agora o homem consegue desenvolver com mais qualidades e eficiência o seu trabalho utilizando as ferramentas necessárias. 

        Nas terras que são doadas, possuem ampliação de espaço chamada arroteamento, se consegue produzir mais terras e ampliar moradias. Dentre os espaços vemos um sistema econômico muito específico desse período que é o chamado feudalismo, onde traz uma relação sistemática de vassalagem que é feito por um senhor mais ou menos fraco que por interesse ou obrigação se vincula com um senhor de poder mais expressivo, essa relação é feita por um contrato que este não escrito, somente escrito quando o senhor feudal é muito importante.

        Esse contrato entre senhor e vassalo é basicamente uma fidelidade, que determina as obrigações recíprocas. Para o senhor geralmente ele deve dar proteção militar, sustento, assisti-lo na justiça, dar-lhe conselhos, oferecendo-lhes presentes e generosidades. Em troca o vassalo oferece certos tributos como a corveia, banalidade, mão morta e talha, os quais iremos abordar um pouco mais a fundo. 


        Corveia: Acabou sendo uma obrigação a qual o servo trabalhava de graça nas terras (colheitas, lavoura, entre outros) as quais eram conhecidas como manso senhorial, reservadas à cultivação do senhor feudal  


        Banalidade: Era um monopólio onde se paga um tributo quando o servo for utilizar algum bem do senhor como a destilaria, moinho, incluído até mesmo os animais como bois, porcos, cavalo e vacas 


        Talha: Era a obrigação de doar uma parte do que o servo produzia no feudo para o seu senhor. 


        Mão morta: A mão morta era outro imposto quando os descendentes de um servo que vem a falecer tem que pagar para continuar usufruindo dos direitos que o senhor retribuía.


        Capitação: Era um imposto per capita (“por cabeça”) onde os servos pagavam um valor de acordo com o número de pessoas em suas famílias.


        Portanto é possível observar que o feudalismo (fim do século X e início do século XI indo até por volta do século XIV)se dá em um ambiente onde muitos historiadores chamam de revolução agrícola onde graças ao faber (ferreiro) se tem um grande avanço tecnológico para fabricação de instrumentos agrícolas que com isso se pode plantar mais e abrir novos espaços o chamado arroteamento, graças ao plantio crescente, novas terras, o fim das invasões se tornando um período de paz houve um grande aumento na população a chamada Revolução Demográfica.

segunda-feira, 1 de março de 2021

1492 - A Conquista do Paraíso (1992) – RIDLEY SCOTT

       Este texto é uma analise do filme “1492 - A CONQUISTA DO PARAÍSO”. Nele será levantada questões como o contexto da obra, os cuidados ao analisá-la, e certos aspectos positivos e outro negativos. Além disso, argumentarei que há um ponto de vista nesta obra, que não é uma critica a isso, pois a isenção é impossíveis àquilo que é feito por humanos.

Primeiro, antes de analisar o filme, é necessário observar o contexto em que a obra é feita. O filme, assim como qualquer obra de arte, não é isenta, quer transmitir uma mensagem e é carregada da visão de mundo dos produtores. Em verdade, muitas vezes, um livro, pintura ou filme que se propõe a falar do passado fala mais de sua própria época do que desde passado em si, por isso é necessário esse cuidado prévio ao estudar história por meio da arte, até porque à arte é também necessário encantar o publico, e não somente mostrar como os eventos históricos aconteceram. Enfim, vamos à analise.

O filme, “1492 - A CONQUISTA DO PARAÍSO”, produzido em 1992,  é uma comemoração aos 500 anos da viagem de Colombo à América. Dirigido por Ridley Scott, narra a “descoberta” e exploração do novo mundo pelo navegador genovês Cristóvão Colombo, que é bem representado por Gérard Depardieu, e mostra também como foi o primeiro contato entre o europeu e os nativos americanos. O filme é, em geral, muito bom, na opinião deste que lhe fala, e apesar das ressalvas, ilustra bem o contato do velho com o novo mundo. 

Logo no começo, o filme já mostra qual é a intenção da produção: “Há quinhentos anos a Espanha era uma nação controlada pelo medo e pela superstição, governada pela coroa e por uma feroz inquisição que perseguia os homens que se atrevessem a sonhar. Um homem desafiou este poder. Guiado por sua percepção do destino, ele atravessou o mar das trevas em busca honra, ouro, e da grande glória de Deus.”. Isso demonstra muito mais como as pessoas do séc. XX viam o séc. XV do que este em si: a ideia do renascimento da razão que se opunha ao obscurantismo das instituições medievais, que foi bastante questionada por Le Goff. Essas ideias são bastante equivocadas, pois o que de fato acontecia era uma “negociação” das ideias antigas com as instituições medievais, que é bem demonstrado no debate dele na universidade de Salamanca, no qual ele é prontamente ouvido, porém questionado.

Agora, acerca do personagem principal do filme, Colombo. O autor Todorov e o diretor  Scott parecem concordar a respeito desse curioso e confuso personagem. No filme, dá a impressão de que o Colombo tem a cabeça nas nuvens, e apesar de suas virtudes, como a coragem, por exemplo, demonstra uma inabilidade política e administrativa ímpar. Ele falha em conseguir apoio na corte espanhola, e consegue mais inimigos do que aliados na nobreza. Sua péssima visão de como as coisas de fato se passam levam a contradições, que também é demonstrado por Todorov, de que os nativos ora são como os seres humanos antes do pecado original, e ora são bárbaros completamente desprovidos de humanidade.

Além disso, o filme deixa bem explicito a influência de Marco Polo sobre Colombo. Na verdade, Colombo e diversos outros navegadores buscavam o que liam em marco polo. Colombo, porém, parece bem decepcionado por não achar aquilo que leu. 

Marco polo é um símbolo forte do que se passava no imaginário europeu como um todo na época, não somente do dos navegadores. A busca de um paraíso terrestre era um forte objetivo e também havia forte o espírito aventureiro. Porém o filme quer demonstrar dois tipos de europeu: os sonhadores, que estão em busca do conhecimento, de novas terras, de um novo mundo, e o ganancioso ignorante, que é mais amante do dinheiro e do poder antes de qualquer coisa. Como já foi dito acima, essa não é uma obra isenta, e deseja mostrar uma dualidade: um novo europeu surgindo, semente da modernidade, e que rompe com a velha ordem obscura. Isso pode ser legítimo para um filme, que goza de liberdade poética, mas para um historiador é um pecado mortal. Mesmo que seja verdade que as sementes da modernidade estejam começando a serem plantadas naquela época, são todas aquelas pessoas “filhas de seu tempo”, como diria o antigo proverbio árabe. Mas, mesmo com essas ressalvas, o filme apresenta bem como eram as relações sociais naquela época.

Por último, porém não menos importante, será falado de como os nativos são apresentados. Será falado pouco porque o diretor não os tinha por principal foco. Em geral, os nativos são pouco protagonistas dos acontecimentos e são mais reativos às ações europeias do que tomam a iniciativa. Pouco ouvimos as opiniões deles, pois pouco falam no filme. O filme ainda tenta mostrar que há nativos que ficaram interessados em conhecer a cultura alienígena, que não foi recíproco, pois, segundo o filme, a princípio nem interesse tiveram os europeus de aprender a língua dos nativos.   

Em suma, o filme cumpre sua finalidade, que é demonstrar de forma artística como aconteceram as navegações e o primeiro encontro do europeu com o nativo americano. Porém, por se tratar de uma obra comemorativa, de “aniversário” de 500 anos deste encontro, a obra tem que ser apreciada com cuidado, principalmente pelos aspirantes a ser historiador. O autor foi feliz em mostrar como o imaginário europeu, mas não mostrou bem os nativos, e nem tinha como fazê-lo, pois faltam fontes primarias dos nativos americanos, e uma das principais são as cartas de Colombo, que, como bem mostra o filme, nem aprendeu a língua deles.    


Referências bibliográficas:


1492 A conquista do paraíso - Diretor: Ridley Scott, Roteiro: Roselyne Bosch (1992)


TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes


1492-A CONQUISTA DO PARAÍSO, Adoro cinema

Disponível em:<https://www.passeiweb.com/estudos/livros/casa_grande_e_senzala> 

Acesso em: 03/05/2020

Guerra de Secessão Dos Estados Unidos

A guerra de secessão ou guerra civil é considerada a guerra mais sangrenta dos Estados Unidos, para ter uma ideia foi a guerra que teve o ma...