A guerra de secessão ou guerra civil é considerada a guerra mais sangrenta dos Estados Unidos, para ter uma ideia foi a guerra que teve o maior número de mortos se compararmos com outros conflitos na história até aquele momento, e seus números de mortos só seria superado posteriormente pela primeira guerra mundial.
Este conflito foi motivado pela divisão de modelos implantando nos Estados Unidos quando foi colonizado em 1607, esta divisão foi feita da seguinte forma o norte utilizava o trabalho livre assalariado, haviam pequenas propriedades e focaram mais na produção industrial, já o sul seguia outro modelo que era agrária e latifundiária, majoritariamente trabalho escravo, essa divisão causou crises políticas, pois os dois modelos em o mesmo pais causavam diferenças culturais e isso ficou ainda mais acentuado devido a rápida expansão territorial.
Com o norte já abolido a escravidão e o sul usando mão de obra escrava, gerou um impasse em novos territórios conquistados, se seriam abolicionista ou escravistas. Para evitar conflitos em 1850 foi criado um conjunto de leis que falavam que os novos estados estariam livres para decidirem.
Mas em 1854 Kansas virou um estado e para obrigar a se tornar escravista, milícias sulistas compostas por fazendeiros em sua maioria invadiram o Kansas para expulsar pequenos proprietários de terras, que por sua vez formariam uma milícia junto com os abolicionistas, e se iniciou um conflito chamado Bleeding Kansas que resultaria esse novo estado ser abolicionistas.
Podemos perceber que já havia uma animosidade entre os dois lados e o estopim da guerra civil foi quando Abraham Lincoln se tornou presidente do Estados Unidos e não foi reconhecido pelo sul pelo o fato de considerarem um abolicionista, resultado assim a criação de um novo país chamado Estado confederados e iniciando a guerra em 1861 que ficou conhecida como batalha do forte Sumter.
Na década de 1850 o Norte passava o Sul em população, porém eram os sulistas que contavam com maior força política no governo federal, foi neste período em que começou diversas disputas à cerca dos novos territórios do Oeste, o Sul tentava avançar para os novos domínios o direito da escravidão, além de angariar novos representantes políticos, já o Norte por sua vez, queria conter o avanço da escravocracia em novos territórios.
Com a lei Kansas-Nebrasca, sancionada pelo governo de Franklin Pierce (1853-1857), nenhum projeto de administração territorial poderia ser aprovado caso não anulasse a proibição da escravidão, obviamente a medida não foi bem vista pelos nortistas, o que gerou disputas políticas e armadas no território do Kansas e em seu entorno, onde até mesmo imigrantes se envolveram, esses por sua vez escolhiam o lado conforme seus interesses próprios.
Nesse cenário o nome de Abraham Lincoln surge forte nas eleições, o que não deu outra, Lincoln foi eleito e apesar de não ser um abolicionista declarado, era favorável as ideias de homens livres e não permitiria à escravidão em novos territórios, motivo mais que suficiente para os sulistas inflarem seus corações com ideias separatistas, todavia a sucessão não seria tolerada no governo do presidente recentemente eleito.
A situação se agravou ainda mais quando a Carolina do Sul anulou sua ratificação da Constituição abrindo caminho para novos estados (Alabama, Flórida, Mississipi, Georgia e Texas) se alinharem à ela e formarem os Estados Confederados da América.
As batalhas bélicas deram início em Charleston na Carolina do Sul, o Norte tinha um contingente de soldados maior, uma estimativa de 4 para 1, todavia o Sul era mais bem treinado e possuía grandes generais estrategistas, tais como Robert E. Lee, que conduziu vitórias importantes aos confederados. Os conflitos em si foram sangrentos e com muitas baixas, muito por conta das novas armas de fogo, bem mais letais que às usadas anteriormente.
A guerra trouxe muitas perdas ao Sul, houve um certo boicote no abastecimento de algodão para os países europeus na tentativa de obter apoio militar, porém não foi de muita valia, já que seus principais compradores (Inglaterra e França) tinham estoques para um ano e se recusavam a ajudar.
Além disso os escravos aproveitaram a guerra para fugir a cada batalha e se tornarem livres, tudo graças a “Lei do Confisco”, aprovada em 1861, onde toda mercadoria e propriedade dos soldados confederados que caísse em mão de soldados nortistas seria apreendida. Desse modo com cada vez menos escravos, o sistema escravista foi colapsando e se tornando insustentável.
Os últimos ataques da União foram lançadas em 1964 e culminou com a captura do presidente dos confederados Jefferson Davis na Georgia. Estima-se uma baixa de 600 mil soldados americanos, se tornando a guerra mais violenta vivida pelos Estados Unidos.
No dia 9 de abril de 1865 é declarado fim da guerra de secessão, essa foi a guerra mais sangrenta e penoso dos Estados Unidos, com mais de 600 mil mortes entre homens que lutavam pelo mesmo país mais com ideais diferentes, e é no mesmo ano que o presidente republicano Abraham Lincoln vai oficializar a 13º ementa da constituição dos Estados Unidos que é a ementa onde declaro o fim da escravidão em todo território do país, esse é o cenário que vai se construir o mito do presidente Lincoln, sendo aquele presidente que unificou o país e aboliu a escravidão e vai ser considerado pela grande maioria da população e historiadores como o maior presidente que o país já teve.
Vamos regressar pra a Batalha de Gettysburg, que foi talvez a batalha mais sangrenta e brutal da guerra, após esse conflito Lincoln vai dar um discurso, esse que vai ser o seu discurso mais famoso e mais estudado pelos historiadores, nele o presidente vai trazer a glorificação do passado trazendo a ideia que os pais fundadores criaram uma nova nação e um território de liberdade e que todos os homens são iguais, entretanto ele volta ao presente dizendo que essa mesma nação saiu deste principio de liberdade e que agora se encontram no campo de guerra e que naquele locar (local da Batalha de Gettysburg) descansam homens que lutaram pelo mesmo país mais com ideias diferente más tinham o mesmo princípio de fazer a nação viver, e que agora esses que lutaram contra repousam juntos no campo de batalha e resta para aqueles que vivem louvar o desejo dos que morreram e fazer com que a nação sobreviva.
Com esse discurso o presidente republicano vai trazer um sentimento de nacionalidade onde por mais que alguém seja contra as ideias do norte ou do sul o que vai ligar eles são o desejo de fazer com que a nação viva, com isso o sentimento de nacionalidade vai se dar muito forte, e não é atoa que foi criado um cemitério na fazenda da esposa do General Lee (grande líder representante do sul) onde descansam os soldados que lutaram em guerras, virou praticamente um santuário de memórias dos heróis da nação e inclusive vai se criar um feriado chamado “Memorial Day” onde no dia 31 de maio todas as pessoas lembram dos soldados americanos que lutaram em guerra para proteger esse ideal de liberdade tão presente no imaginário do cidadão norte americano (desde a Guerra de Secessão até aqueles que lutaram na Guerra do Iraque, passando por todas as guerras), portanto é visto que a ideia de nacionalidade foi muito bem institucionalizada justamente após o fim da guerra de secessão.
Os reflexos da Guerra de Secessão se perpetuam até hoje além da já citada ideia de nacionalidade, o jeito que os estados atuam hoje é bem similar ao cenário que se tinha na guerra embora não tenha mais conflito, pois a guerra trouxe a união e o firmamento da ideia de nação. Assim como na guerra, hoje em dia o norte é mais industrializado do que o sul e é no sul onde se concentra os casos de racismo (visto que na guerra civil o sul era a favor da escravidão), é no sul também onde se tem mais ideias de reacionarismo onde a ideia de volta ao passado e de ser contra as novas mudanças são mais afloradas, a ideia de não aceitar o novo é muito grande coisa que no norte é aceitável, com isso é visto que por mais que a Guerra de Secessão tenha acabado, certas coisas ainda se mantém.
Texto de Lucas Calvo Piras, Jarbas Evangelista Santos Silva, Leonardo de Oliveira Barros
Bibliografia: História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI / – Leandro Karnal ... [et al.]. – São Paulo: Contexto, 2007